O Cidadão do Ano

 

Vem curiosamente da Noruega, em tese um dos países mais civilizados e pacíficos do planeta, esse filme que impressiona pela violência e pela exuberância da paisagem inóspita que nos revela.

 

Narra a história de Nils, um trabalhador dedicado, recém nomeado cidadão do ano em seu vilarejo, que vinga a morte do filho eliminando um a um todos os envolvidos no assassinato.

 

É um filme, portanto, sobre a vingança; esse sentimento imanente da natureza humana de querer fazer justiça com as próprias mãos quando as instâncias responsáveis por fazê-la se omitem. A polícia, no filme, não é omissa, é verdade, mas é vista como palerma. Um mafioso, a certa altura, em tom jocoso, comenta com outro mafioso como as prisões da Noruega se parecem com hotéis de quatro estrelas. Ou seja, punem pouco.

 

O longa-metragem de Hans Petter é bastante parecido com alguns filmes do diretor japonês Takeshi Kitano, não só pela violência exacerbada, mas também pelo humor negro que destila e pela contundência e eficácia com que é realizada  a ação impetuosa e destrutiva do personagem principal; e por envolver disputa de gangues rivais de mafiosos, tema caro a Kitano. 

 

“O Cidadão do Ano” provoca uma reflexão incômoda sobre o direito moral que um cidadão de bem teria ou tem de matar (ou ao menos revidar) todo aquele que lhe fizer um grande mal. Porque Nils não perde só o filho, perda irreparável, perde também a esposa que, transtornada, o abandona.  Teria ele esse direito? 

 

Diriam os mais civilizados: não! Claro que não. Mas Nils é extensão daquela natureza bravia e, assim como ela, também age por instinto de preservação. 

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