Bikes vs Cars

Bikes vs Cars é um documentário sobre as vantagens do uso da bicicleta em larga escala nos grandes centros urbanos. Ele constrói a ideia desse suposto benefício comparando o uso da bicicleta com o uso do carro em cidades como São Paulo, Los Angeles, Copenhague, Bogotá, Toronto etc.

 

É um filme tendencioso, não se pode negar; no limite, é quase uma propaganda. Não é à toa que seu título é Bikes vs Cars e não Cars vs Bikes. As bikes (ou os bikers) são as protagonistas, são elas que conduzem nosso olhar e nosso escutar. É sob a ótica delas que vemos como se estabelecem as relações entre carros, bicicletas e pedestres em cada uma daquelas cidades. E isso não é necessariamente ruim se pensarmos o filme como um forte contraponto à cultura do carro, tão arraigada entre nós, e à dependência que o cidadão comum tem dele.

 

De um lugar ao outro do mundo vemos automóveis parados em congestionamentos monstruosos. Motoristas entediados perguntando-se, essa é a impressão, o que fazem ali quase estacionados, presos à teia infinita de carros que ocupam todos os espaços, todos os cantos da cidade. Uma onipresença que o documentário evidencia e que nos faz sentir angustia.

 

Há, nesse sentido, uma imagem emblemática a certa altura do filme, quando duas garotas pedalam num estacionamento enorme, gigantesco; elas atravessam o quadro de ponta a ponta e as vemos pequenas no mar de automóveis.

 

Os carros atropelam pedestres e ciclistas em todos as partes do globo todos os dias, poluem o meio ambiente, provocam doenças respiratórias de todos os tipos, principalmente em crianças e idosos, contribuem para o aquecimento do planeta — para ficar apenas nessa meia dúzia de problemas graves — e ainda assim continua havendo todo um sistema que os apoia e que impulsiona o crescimento desenfreado deles até o dia em que tudo entrará em colapso.

 

Como alternativa a esse estado de coisas, a pergunta central do documentário: uma cidade ciclável é possível?

 

Para o diretor do filme, Fredrik Gertten, a resposta é sim. Não apenas ela pode ser ciclável como algumas delas foram cicláveis um dia e outras continuam sendo. Los Angeles, por exemplo, há cerca de cem anos atrás, tinha um número infinitamente maior de bicicletas em circulação do que tem hoje em dia. E já naquele tempo possuia toda uma estrutura cicloviária que estimulava o uso cotidiando da bicicleta como meio de locomoção da população local.

 

Copenhague é um exemplo notável de cidade boa para se pedalar. Recentemente, o monitoramento local de tráfego identificou mais bicicletas acessando a região central do que carros. As bikes ali dominam a paisagem. É uma cidade referência.

 

Finalmente, numa outra sequência do filme, uma professora em Bogotá ensina um grupo grande de alunos a andar de bicicleta pelas ruas do bairro próximo à escola.  Sem dúvida, a melhor maneira de estimular seu uso: desde cedo, quando as crianças ainda estão livres da influência e da pressão que a indústria automobilística exerce sobre a subjetividade dos jovens e dos adultos através, principalmente, de campanhas publicitárias milionárias e sempre muito sedutoras.

 

Bikes vs Cars termina com planos de trabalhadores da prefeitura de São Paulo (da gestão passada) pintando ciclofaixas durante a madrugada. Ocupando os espaços dos carros que ali estacionam dia e noite. Algo que é testemunhado por uma das personagens principais do documentário com grande regozijo.

 

Resta saber, apenas, o que fará a atual gestão uma vez que, até onde se sabe, quer descartar a meta de aumento da rede de ciclovias e ciclofaixas na capital paulista, marca da administração Haddad.

 

Nota: Você encontra esse documentário na Netflix, por exemplo.

 

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